Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Segunda Semana - Entrevista a Gil Vicente

Boas pessoal!

 

Esta semana o nosso querido SAPO pediu-nos uma entrevista com o nosso autor...

Pois bem, passámos momentos bem complicados até conseguirmos achar uma forma de entrevistar alguém já falecido, mas...

Bem, ficámos estupefactos!

O que à primeira vista parecia ser impossível, tornou-se realidade!

Gil Vicente? Aquele que morreu há quase 500 anos?

Enganam-se! Está vivo, e de boa saúde! A nossa equipa teve o prazer de o entrevistar, e assim conseguir completar a tarefa da segunda semana!

Queres dar uma espreitadela?

 

Primeira Parte

Gil Vicente está vivo e de boa saúde

 

Segunda Parte

A Entrevista

 

Making Of

Apresentamos, como complemento dos vídeos, o guião da nossa entrevista, o qual inclui, todas as perguntas e respostas. É de referir que as nossas gravações não seguiram à risca este guião, pelo que poderás encontrar ligeiras diferenças...

 

VANESSA – Boa noite... Bem-vindos a mais um DizQueSim, o nosso programa semanal. Esta semana temos connosco Gil Vicente. Mas, afinal, quem é este homem?
GIL VICENTE – Ora quem sou eu? Pois bem, eu sou um simplório que virou estrela de castelo! É que aquilo por lá é uma escuridão... Se não há mesmo uma estrelinha a orientar… imaginem… Pois bem, fui fazendo umas peças – os autos, como se diz por aí – e a realeza foi curtindo a cena (se é que perceberam o trocadilho) e foram-me, digamos, contratando para escrever. Depois peça puxa peça, mais uma animaçãozita, mais isto, mais aquilo, e lá fui eu ficando famoso pelas comédias que escrevi...
 
ALÉXIS – Hmm... E o que pensam os seus filhos do seu trabalho?
GV - Ah eles pensam muito bem! Pensam que eu escrevo muito bem... Pensam que as minhas peças são só para a comédia… Mas enganam-se! Eu nunca fui realmente bom na escrita. Eu tenho é um amigo de um amigo dum primo meu que percebe da coisa e lá me vai dando umas dicas. Sem ele as minhas peças não eram nada. E quanto a isso de só serem feitas para a comédia também está mal! Porquê? Porque esse amigo do amigo do meu primo escreve que é uma beleza, mas aquilo não tem piadinha nenhuma e, então, o quê que faço? Ora eu pego na escrita lá do rapaz e espeto-lhe com a crítica em cima! Sim, porque a sociedade do meu tempo está uma valente me*[sinal de corte]! Está tudo mal, e, a meu ver, tem que ser tudo mudado. Daí a constante crítica.
 
V – Claro, compreendemos! Em que momento da sua vida é que descobriu a escrita? E em que circunstâncias isso aconteceu?
GV - É como já lhe disse: eu conheci um amigo dum amigo...
A – (interrompendo) ...de um primo seu...
GV - ...eeeexacto... e ele lá me foi incentivando a escrever... Depois como não tenho mais que fazer… observo, observo… e de vez em quando lá me inspiro. Depois foi só tomar-lhe o gosto.
 
V – Diga-me Vicente, considera-se uma pessoa criativa?
GV - (a olhar para trás, por cima dos ombros) Quem?! Eu?! Criativo?! Naah!!! Quer dizer... Sim!!! Ora bem… Se desdobrarmos a palavra criativo em cria+activo, sim, sim! Crias tive 5 e, para tal, foi necessária alguma actividade. É por isso que mantenho esta boa forma, que poderia ser ainda melhor, mas aquelas donzelas lá da corte…
 
A – Pois, sim... Já percebi o seu lado criativo... e... relativamente aos seus conhecidos, aos seus colegas, o que dizem eles acerca do seu trabalho?
GV - O mesmo que os meus filhos.. “ah e tal, escreves bem!” Ao que eu respondo: “pois ora então muito obrigado”. Mas claaaroo, que eu sei muito bem o que se passa por trás! Mas não sou estúpido! Quero é ficar com os louros da coisa... oh... (em terra de cegos quem tem um olho é rei e, por aqueles lados, ninguém anda a ver nada...)
 
V – Existem pontos comuns nas suas obras?
GV – Pois, claro que sim!
A – Então? Quais são?
GV - A crítica, a comédia, o ponto de interrogação e o de exclamação... São realmente os pontos que mais uso. Mas se entendermos comum por vulgar, então terei que dizer que é o ponto final (que é coisa que precisava ser feita na altura, pôr um ponto final na coisa [estado degradante da sociedade]).
 
V - Sente que a sua crítica é diferente da que os seus contemporâneos fazem (e da que se faz actualmente)?
GV - Uma crítica é sempre uma crítica, logo como é que as críticas podem ser diferentes? É obvio que a crítica que eu faço é idêntica à que os outros fazem. A maneira como a fazem é que é diferente. Mas isso deve-se ao amigo do amigo do meu primo, claro... Quanto à crítica que se escreve actualmente, penso que basicamente foca os mesmo pontos: o de exclamação e de interrogação, mas, sinceramente, o ponto final da coisa… nem vê-lo! Também acho que quanto à crítica em si, os críticos de hoje criticam as mesmas classes sociais: as mais altas, as médias, e as baixas, (é tudo uma questão de alturas [tempos e classes sociais]).
 
(VOZ-OFF [30 SEGUNDOS] - NOTÍCIA DE JOSÉ SÓCRATES)
 
GV – (Espantado) Quem é esse tal José Sócrates???
V – É o nosso actual primeiro ministro.
GV – Nobreza?!
A – Comparando ao seu tempo, sim...
GV – Ah... então era logo para a barca do Inferno.
V – Desculpe??!
GV – Disse que vou apontar isso no meu caderno, para não me esquecer...
V – Ahh! (Olha para o Aléxis e encolhe os ombros)... Bem mudando de assunto...
A - Na sua crítica, como trabalha as personagens tipo? Procura apanhar todos os pormenores?
GV - Todos, todos, não que isso dá muito trabalho, como é óbvio! Mas, é bem verdade que, na caracterização, são os pormenores que nos ajudam a construir o essencial.
 
V – Gil, nas suas obras tem alguma atitude parcial?
GV - Tenho tenho: normalmente quando critico uma classe social critico logo outra. Portanto, trabalho aos pares... Sou parcial...
A+V –  (Trocam olhares desentendidos)
 
A – Para si quais são os limites da crítica?
GV - O limite inferior ou superior?
A+V – (Olham um para o outro e fazem uma cara de desaprovação, juntamente com o som "Hmmm"...)
GV – Bom... quanto ao inferior, o limite é estar calado. Quanto ao superior, é chamar nomes a alguém. Tipo, “oh seu ladrãozito de tigela cheia” ou “esses campónios que têm a mania que plantar batatas é que é vida”. Então e a arte?! Já não se valoriza quem faz arte?
 
V - Tinha de ter algum cuidado com a forma como expressava as suas críticas, para evitar problemas na corte?
GV - No início mais: há sempre os que não são distraídos e ficam para lá enfonados... Mas com o tempo foi só dizer-lhes que sim senhor, que tinham muita razão e pronto! Agora é só rir… é só rir…  
 
 
A - Como prepara as suas obras?
GV - Com papel, pena, e uma conversita de ao pé de orelha, com o amigo do amigo do meu primo...
 
V - Como incluiria a sociedade actual na sua sátira social tão singular? Que grupos abordaria?
GV - A classe alta, a média e a baixa. Os personagens também não mudavam muito: os tipos saúde… educação… finanças… os guerrilheiros de palavras, que se chamam…Como é mesmo?!
A+V – Os políticos?
GV - Os políticos!... Os das ciências… da religião… e os como eu… Homem de arte.
 
A - Considera um trabalho duro, criticar a sociedade dessa forma?
GV - Não! É bem molezinho. Quer dizer, às vezes é um bocadinho duro, sim... Às vezes tenho de ir de coche para a cidade ao lado, para falar com o amigo do amigo do meu primo e aquela porra é dura como tudo!
 
V - A sociedade tem razões para estar “zangada” consigo?
GV - (Faz-se de assustado) Quem?! A sociedade?! A do meu tempo ou a do seu?
A - A do seu...
GV - Depende do ponto de vista. Se forem aqueles morcões que a gente paga uma "bjeca", ali na tasca, e eles ficam caladinhos, esses são estúpidos demais para saberem o que é ficar zangado...
 
V - Até que ponto a sua crítica/o seu trabalho o tornou um homem melhor?
GV - Lá está… Vistas bem, bem, mas mesmo bem as coisas,... não tornou! Agora se as virmos assim de longe, eu diria que não só me tornou melhor, mais divertido pelo menos, como também terá tornado a nossa sociedade melhor... Disse alguma asneira?! Já sei! Vocês não notam diferença! As coisas não mudaram tanto assim! Mas ponham vocês o ponto final na situação! É suposto este ser um trabalho de continuidade!
 
V – Bom... julgo que não temos mais questões a colocar...
GV – Óptimo... já se está a fazer tarde e tal, tenho que voltar para a minha dimensão...
 
A – Foi um prazer tê-lo connosco nesta edição do DizQueSim, muito obrigado pela sua disponibilidade.
 
V – Por hoje é tudo, até para a semana…
GV – Quem?! Eu?! Eu não volto cá outra vez!!
V – Não, não, deixe lá... Até para a semana…

 


 

FONTES:
 
- Gil Vicente. Acedido em: 26, Fevereiro, 2007. WIKIPEDIA, http://pt.wikipedia.org/wiki/Gil_Vicente
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Gil Vicente - Vida e Obra

Quem foi afinal Gil Vicente?
 
Não se sabe ao certo muito acerca de Gil Vicente. A maior parte das informações que temos acerca do escritor foram decifradas a partir das obras que escreveu. Muitas vezes é associado com o autor da Custódia de Belém e com o mestre de Retórica de Manuel I, o 14.º rei de Portugal.
 
Fig. 1 - Gil Vicente como costuma ser representadoGil Vicente, enquanto dedicou a sua vida ao teatro, desempenhou também tarefas de músico, actor e encenador. É considerado o pai do teatro português, e por alguns, pai do teatro ibérico uma vez que escreveu para além fronteiras, tendo desenvolvido dramaturgia com Juan del Encina, poeta espanhol.
 
A data de nascimento de Vicente continua a ser uma incógnita, sendo atribuídos os anos que vão desde 1460 a 1470, sendo 1465 o mais aceite. Da mesma forma, também não se sabe ao certo onde terá nascido, sendo atribuídas várias regiões de Portugal para o seu nascimento. No entanto, o local mais provável terá sido em Guimarães.
 
Sabe-se que estudou em Salamanca, Espanha.
  
Vicente casou-se com Branca Bezerra, de quem teve 2 filhos, e mais tarde quando esta faleceu voltou a casar-se com Melícia Rodrigues, tendo tido no total 5 filhos.
 
O seu primeiro trabalho foi uma peça em castelhano chamada "Monólogo do Vaqueiro", que foi representada nos aposentos da rainha D. Maria, consorte de Manuel I, tendo sido esta representação o arranque da história do teatro português, embora já existissem algumas peças de outros autores, mas pouco notórias.
 
O sucesso das suas obras foi tão grande que os reis para os quais Gil Vicente desenvolvia as suas peças convidaram-no a tornar-se responsável pela organização dos eventos palacianos.

E como já dissemos, o nosso escritor não se ficava pela escrita das peças! Ele próprio encenava-as e representava-as!


Pensa-se que morreu em 1536, em lugar desconhecido, porque é a partir desta data que se deixa de encontrar qualquer referência ao seu nome nos documentos da época, além de ter deixado de escrever a partir de então.

 

Como já dissemos, os registos biográficos são poucos, no entanto optamos por apresentar os anos com os acontecimentos mais marcantes relativos à vida do autor:


 

 E quais são as suas obras?

Apresentamos uma lista com as obras mais importantes do autor, e os respectivos anos de criação:

  • Auto Pastoril Castelhano (1502)
  • Auto dos Reis Magos (1503)
  • Auto de S. Martinho (1504)
  • Auto da Índia (1509)
  • Auto da Fé (1510)
  • Auto das Fadas (1511)
  • Auto da Sibila Cassandra (1513)
  • Comédia do Viúvo (1514)
  • Quem tem farelos (1515)
  • Auto dos Quatro Tempos (1516)
  • Auto da Barca do Inferno (1517)
  • Auto da Barca do Purgatório (1518)
  • Auto da Barca da Glória (1519)
  • Auto do Deus Padre (1520)
  • Cortes de Júpiter (1521)
  • Auto da Fama (1521)
  • Pranto de Maria Parda (1522)
  • Farsa de Inês Pereira (1523)
  • Auto Pastoril Português (1523)
  • Auto dos Físicos (1524)
  • Farsa das Ciganas (1525)
  • Breve Sumário da História de Deus (1526)
  • Diálogo dos Judeus sobre a Ressurreição (1526)
  • Nau d'Amores (1527)
  • Farsa dos Almocreves (1527)
  • Auto Pastoril da Serra da Estrela (1527)
  • Auto da Feira (1528)
  • Auto da Festa (1528)
  • O Clérigo da Beira (1530)
  • Jubileu d'Amores (1531)
  • Auto da Lusitânia (1532)
  • Romagem de Agravados (1533)
  • Auto da Cananeia (1534)
  • Floresta de Enganos (1536)

 

Fontes:

- Gil Vicente, acedido em 11, Fevereiro, 2007, Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gil_Vicente

- Gil Vicente, acedido em 10, Fevereiro, 2007, Aprender Português: http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm

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